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O Mito do Empreendedor: por que todo negócio precisa de três perfis para crescer

16 de agosto de 20262 min de leitura

O negócio precisa de três perfis, e um deles costuma ser esquecido

Em O Mito do Empreendedor, Michael E. Gerber apresenta o porquê de tantos negócios têm dificuldade de crescer: dentro do empreendedor existem três personagens: o Empreendedor, o Técnico e o Administrador.

E, curiosamente, o Administrador costuma ser o mais negligenciado.

O Empreendedor é aquele que imagina. É o visionário. Enxerga oportunidades, cria possibilidades, assume riscos e pensa no futuro. É quem pergunta: “Onde podemos chegar?”. Sem o Empreendedor, dificilmente existe inovação, crescimento ou disposição para transformar uma realidade.

Mas visão, sozinha, não constrói uma empresa.

O Técnico é aquele que faz. É o especialista na execução. Conhece o produto, domina o serviço, resolve problemas e entrega aquilo que o cliente compra.

É extremamente comum que ambos os perfis estejam na mesma pessoas e que um pequeno negócio nasça justamente assim: alguém que sabe fazer muito bem alguma coisa decide transformar sua visão em negócio.

O problema é que o proprietário continua sendo o principal executor de tudo. Nesse estágio, a empresa não possui autonomia. Ela possui um profissional extremamente competente que também carrega o peso de administrar o negócio.

O Administrador é aquele que transforma esforço em sistema. Aqui está, para mim, a personagem tão importante e frequentemente esquecida. Ele cria ordem, processos, controles, planejamento, indicadores e previsibilidade.

Ele pergunta: "Como fazemos isso funcionar de maneira consistente, mesmo quando não estou presente?”

E por que ele é tão negligenciado?

Porque o Empreendedor costuma receber o reconhecimento pela visão, enquanto o Técnico recebe reconhecimento pela competência. O Administrador, por outro lado, trabalha nos bastidores. Ele não necessariamente cria o produto, atende o cliente, ou aparece na operação. Ele cria aquilo que permite que todas essas coisas funcionem de forma coordenada.

E há ainda um problema cultural: muitos associam administração a burocracia, papelada e excesso de controle. Quando, na realidade, administrar é transformar recursos, informações e pessoas em capacidade de execução previsível.

É nela que se conecta estratégia à operação. É aí que transforma: visão → planejamento → processos → indicadores → decisões → resultados.

O problema não é escolher entre Empreendedor, Técnico e Administrador. É reconhecer que os três são necessários. O Empreendedor sem Administrador cria ideias sem estrutura. O Técnico cria dependência do próprio dono. E o Administrador sem Empreendedor pode transformar a empresa em uma máquina eficiente, mas sem direção.

Um negócio saudável precisa dos três. Talvez uma das maiores transições na vida de um empresário seja justamente compreender que crescer não significa trabalhar mais, significa construir uma empresa que consiga funcionar melhor sem depender exclusivamente de quem a criou.

E é aí que a Administração deixa de ser burocracia e passa a ser estratégia.

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